🏦 BancosO que é a Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) do Banco de Portugal
A Central de Responsabilidades de Crédito (CRC) é uma base de dados gerida pelo Banco de Portugal que reúne informação sobre os créditos concedidos em Portugal a cada pessoa e empresa. Sempre que pedes um crédito — habitação, automóvel, pessoal, cartão de crédito — a instituição consulta a CRC para ver o que já deves. Saber o que lá está sobre ti é útil antes de pedires financiamento.
O que a CRC regista
As instituições que concedem crédito — bancos, financeiras, instituições de pagamento — são obrigadas a comunicar mensalmente ao Banco de Portugal os créditos que concederam, em regra a partir de um montante inicial superior a 50 €. Isso inclui créditos em curso e também créditos potenciais, como o limite não utilizado de um cartão de crédito ou de uma conta com descoberto autorizado.
De cada crédito, a CRC guarda o montante em dívida, o tipo de crédito, o prazo, o número de titulares e a situação de pagamento — se está a ser pago dentro do prazo ou se há prestações em atraso, e há quanto tempo.
Quem consulta e para quê
As instituições financeiras consultam a CRC quando avaliam um pedido de crédito, para calcular a tua taxa de esforço — quanto do teu rendimento já está comprometido com prestações — e cumprir as regras do Banco de Portugal sobre concessão responsável de crédito.
A informação da CRC só pode ser consultada por instituições a quem pediste crédito ou que já te concederam crédito, e por ti próprio. Não é uma lista pública nem é vendida a empresas de cobranças.
Como pedir o teu mapa de responsabilidades de crédito
O mapa de responsabilidades de crédito é o documento que mostra tudo o que a CRC tem sobre ti num determinado mês. Pedes o teu mapa gratuitamente no site do Banco de Portugal, na área de serviços da CRC, autenticando-te com as credenciais do Portal das Finanças ou com a Chave Móvel Digital.
Podes pedir o mapa do mês mais recente ou mapas históricos de meses anteriores. Vale a pena consultá-lo antes de pedires um crédito importante, para saberes exatamente o que a instituição vai ver.
Erros e incumprimento
Se encontrares um erro no teu mapa — um crédito que já pagaste e continua a aparecer, um valor errado, um crédito que não é teu — deves reclamar diretamente à instituição que comunicou a informação, que é a única que a pode corrigir. Se não resolver, podes apresentar reclamação ao Banco de Portugal.
As prestações em atraso ficam registadas na CRC e são visíveis para as instituições durante algum tempo mesmo depois de regularizares a dívida. Isso pode dificultar novos créditos, por isso convém evitar atrasos e, se acontecerem, regularizar o mais depressa possível.
Perguntas Frequentes
- A CRC é uma lista negra de devedores?
- Não. A CRC regista todos os créditos, estejam a ser pagos em dia ou não — não é uma lista de devedores. Existem bases de dados privadas que assinalam incumprimentos, mas essas são distintas da CRC do Banco de Portugal e têm regras próprias de acesso e de contestação.
- Consultar o meu mapa de responsabilidades de crédito prejudica a minha avaliação?
- Não. O pedido do teu próprio mapa não fica registado como uma consulta feita por uma instituição e não tem qualquer efeito na avaliação de futuros créditos. É gratuito e podes fazê-lo as vezes que quiseres.
- Quanto tempo fica um atraso registado na CRC?
- A informação de incumprimento mantém-se visível para as instituições durante um período após a regularização, na ordem dos meses a poucos anos consoante a situação. O registo histórico da CRC não é apagado, mas deixa de assinalar o crédito como em incumprimento quando a dívida é paga.
- O limite do meu cartão de crédito conta como dívida na CRC?
- O valor que utilizaste conta como crédito em dívida. O limite disponível e não usado é comunicado como crédito potencial e também é tido em conta pelas instituições quando avaliam quanto mais te podem emprestar.
Conteúdo informativo, não constitui aconselhamento financeiro, fiscal nem jurídico. Confirma montantes, limites e condições em vigor diretamente nas fontes oficiais (Segurança Social, Banco de Portugal, Autoridade Tributária, Fundo de Garantia de Depósitos) antes de tomares uma decisão.